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sexta-feira, abril 20, 2012

Nós quatro e a lua


10 de Dezembro de 2011, por volta das 22 horas.

 Sentei-me na varanda de casa para observar a lua cheia que parecia ser a mais bela do ano, e como que numa espécie de déjà vu tardio, revi as noites de lua em que meus pais colocavam uma esteira de palha do lado de fora e meus irmãos e eu ficávamos deitados contando estrelas, repetindo perguntas que toda criança gosta de fazer; quantas estrelas tem no céu, por que a lua brilha se o sol já se pôs, por que temos a sensação de que a casa está girando quando a olhamos deitados no chão....?  
 Em noites assim, meu irmão mais velho tinha o hábito de colocar os Lps dele pra tocar e tinha uma musica que ele sempre repetia. esta musica (entre outras, mas especialmente esta), ficou na minha memória afetiva e quando a escuto, o que não acontece com frequência, porque ela me trás uma sensação nostálgica muito forte e eu não gosto disso, dessa sensação (falei sobre isso aqui), quase que posso sentir como se estivesse lá, naquele momento.
 Transportada de volta ao meu momento, fui tomada de uma saudade incomoda.
 Hoje somos quatro adultos cheios de responsabilidades, alguns com suas próprias famílias outros não, todos morando longe uns dos outros. 
 A casa está tão vazia.
 O interessante é que a casa não ficou maior, ao contrário, parece que diminuiu! Talvez porque quando eramos crianças sempre havia um canto a descobrir, explorar, para se esconder... 
 Hoje esses cantos já não existem, eu não os vejo, não mais.
 A lua é a mesma, as noites não.
 Estou aqui, só, escrevendo isto e como que ouvindo as musicas, as gargalhadas que dávamos de coisas que nem me lembro e minha mãe dizendo que é hora de ir dormir.
 Não é mais possível ver as estrelas, as luzes artificiais não deixam. 
 Mas a lua está lá. 
 Testemunha fiel de minhas lembranças.




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